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Caminho Vivo

Literatura

Quando um pesquisador, cientista, um estudioso, ou mesmo um ancião de grande experiência prática quer transmitir a outras pessoas e gerações aquilo que aprendeu, descobriu e observou, ele procura escrever um livro. Assim, nos livros estão contidas grandes ideias, pensamentos, descobertas, conselhos, e descrições de seres, objetos, lugares e aventuras. Quão grandes professores são estas pessoas que andaram à nossa frente e quão grandes são esses livros que nos deixaram!

Mais uma vez, sabemos que há um depósito de pensamentos em que podemos encontrar todas as grandes idéias que mudaram o mundo. Acima de tudo, estamos ansiosos para dar à criança a chave deste armazém. Diz-se que a educação atual não produz pessoas que lêem. Estamos determinados a que fazer com que as crianças amem os livros; portanto, não nos interpomos entre o livro e a criança. Lemos para ele suas Histórias de Tanglewood, e quando ele é um pouco mais velho, Plutarco, não tentando fracionar ou diluir, mas deixando a mente da criança para lidar com o assunto da melhor maneira possível. ”

Charlotte Mason

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Podemos oferecer às nossas crianças todo esse rico e vasto conhecimento! E, se não diluirmos ou fracionarmos tal conhecimento com resumos e adaptações, se oferecermos a estas pequenas e ávidas mentes um conteúdo integral, não uma lista de fatos ou dados, mas tudo que esses mestres quiseram nos dizer sobre o que amavam, sobre o que estudavam, sobre o que viviam, quantos livros repletos de saber e de vida podemos colocar diante de nossos filhos e permitir que, conforme a capacidade de compreensão de cada um, eles aprendam? Um currículo com livros cheios de vida e não apenas relatos de fatos, com boa literatura e grandiosas histórias.

E se as disciplinas de literatura e história caminham lado a lado, daremos vida e contexto aos fatos e proporcionaremos melhor compreensão do modo de vida e pensamento da época desses mestres aos leitores.

Aqui estão algumas sugestões práticas de como fazê-lo:

Inicie com os pequenos (6 anos) com Fábulas de Esopo e contos de fadas (Grimm e Andersen em suas versões integrais são os preferidos), também parábolas e lendas populares.

Entre 7 e 9 anos, podemos iniciar a leitura da Mitologia Grega com estórias de grande ênfase moral e repletas de heróis.

A leitura de o Peregrino também é uma sugestão para essa idade pois oferece metáforas da vida cristã em uma linguagem mais robusta que cria um certo grau de dificuldade, preparando a criança para o maior volume de leituras nos anos seguintes. Pode, contudo, ser substituida – uma vez que tem base doutrinária cristã reformada. Se escolher fazê-lo busque escolher um livro de grande peso literario, um passo a frente da compreensão da criança para desafiá-la e enriquecê-la e de valor moral e/ou religioso.

Ainda nessa idade, cultive a fantasia e a imaginação em livros como Histórias Assim, de Rudyard Kipling, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e outros mitos e lendas.

Crianças de 9 a 11 anos podem acompanhar o período que estão estudando em História, como já foi falado. Aqui podemos introduzir autores nacionais conforme a época, além de grandes livros clássicos e de valor histórico, Camões, uma peça de Shakespeare e continuamos com os mitos gregos, grandes aventureiros e heróis.

Na literatura, temos fins definidos em vista, tanto para nossos próprios filhos quanto para o mundo através deles. Desejamos que as crianças cresçam e encontrem alegria e refresco no sabor, no sabor de um livro. Não queremos dizer com um livro qualquer material impresso em uma encadernação, mas uma obra que possui certas qualidades literárias capazes de trazer ao leitor o prazer sensível que pertence a uma palavra literária adequadamente dita. É um fato triste que estamos perdendo nossa alegria na forma literária. Estamos com tanta pressa de ser instruídos por fatos ou excitados por teorias, que não temos tempo para nos demorarmos com a mera colocação de um pensamento. Mas este é o nosso erro, pois as palavras são poderosas para deleitar e inspirar. Se não fôssemos tão cegos quanto os morcegos, Há muito tempo, deveríamos ter descoberto uma verdade totalmente indicada na Bíblia – aquilo que é dito uma vez com perfeita adequação nunca pode ser dito novamente e se torna, a partir de então, uma força viva no mundo. Mas na literatura, como na arte, exigimos mais do que mera forma. Grandes idéias estão refletindo sobre o caos do nosso pensamento; e é ele quem dirá o que todos nós estamos pensando, que será para nós como professor enviado por Deus. 

Charlotte Mason

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