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Estudando poesia

No currículo escolar proposto por Charlotte Mason, o ensino da poesia não era visto como um passatempo mas, assim como a matemática e a leitura poesia era um trabalho diário.

Em um artigo para a Parent’s Review – revista editada por Charlotte Mason -, Mary Woods fala sobre porque e como ensinar poesia. É claro, ela cita todas aquelas razões mais acadêmicas, obvias e racionais para o estudo de poemas: a transmissão de lições morais, o fortalecimento da memória e do raciocínio, o fornecimento de meios para análise e composição de linguagem e textos, a etimologia, a gramática e a ilustração de histórias; mas, a seu ver, a principal razão para o ensino da poesia é porque ela é uma arte, tal qual a música, a pintura e o drama.

Para Woods, os elementos da poesia são: pensamento, emoção e música. Sendo a música o que mais atrai as crianças. “Uma criança ouvirá e apreciará a música de um poema antes de poder apreciar a emoção; ele apreciará a emoção antes que possa entender o pensamento. Agora, essa ordem, que é natural e, portanto, saudável, deve obviamente ser seguida em todas as tentativas de ensinar crianças pequenas”, ela diz.

E aqui estão as formas como, para Woods, a poesia deveria ser ensinada:

  1. Permita à criança ouvir o que gosta, o que satisfaz seus ouvidos, ainda que não seja aquele poema bem requintado. Sons simples e sutis, algo mais melodioso, com a métrica bem regular que são como canções infantis.
  2. Leia para a criança o mais lindamente possível. Poemas mais melodiosos ajudarão nesse ponto também. Use entonação e emoção na leitura. Você pode perguntar à criança se ela percebe o tom triste ou alegre, de raiva, desejo ou arrependimento. E cresça na profundidade das emoções à medida que progride do poema infantil às grandes descrições dos clássicos. Faça essa jornada de forma lenta, como um treinamento a exercitar a inteligência e compreensão da criança, até que ela tenha idade suficiente para apreciar emoções sutis e variáveis em poemas clássicos e épicos.
  3. Leve a criança a recitar poemas, e que ela se esforce em transmitir o sentimento e a música que propôs o autor e, assim, aprenda a apreciar dramaticamente um poema.
  4. Para os maiores (Woods aqui não cita idade, mas eu penso que seria dos 10 anos em diante), ilustre com uma paráfrase o significado de um poema, diferencie prosa e poesia. Mas esta paráfrase não é escrever o significado sozinho e à parte do poema, e sim uma prosa que mantenha as características do poema ainda que não tenha palavras em comum, uma paráfrase onde ainda haja emoção e música, só que de forma moderada e o pensamento do poema se destaque e se intensifique.

Woods também lembra que a poesia encarna sentimentos como aspiração, devoção e consagração, presentes na religião; logo é necessária também a leitura da Bíblia, Salmos, Parábolas, Canções e poemas religiosos.

“Eu definiria poesia, então, como expressão musical, por meio de palavras, de pensamento carregado de emoção. Uso a palavra “musical” não, é claro, em seu sentido técnico, mas como aplicada à geada e ao ritmo, às doces consoantes e cadências do verso; e a palavra “emoção”, aplicada a todas as formas de sentimento humano, desde os impulsos do amor ou da tristeza às sutilezas do pressentimento ou arrependimento”.

Fonte: Woods, Mary A. Sobre o ensino de poesia. Parent’s Review vol. 2, 1981/82.

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